“Miguel de Cervantes, ao publicar Dom Quixote na primeira metade do século 17, fez mais do que inventar o romance:
inventou a ficção,
uma visão de mundo que haveria de se infiltrar
em cada aspecto da vida social, a partir de então.”
William Egginton
"Certo dia, quando conversávamos na aula sobre os cavaleiros medievais, uma luz começou a acender em meus pensamentos: que tal fazer "Dom Quixote" na peça de 8º ano?
Que atrevimento!
Eu ainda estava conhecendo aquela turma tão linda de 6ª ano, descobrindo suas qualidades aventurescas, pitadas de coragem, muito entusiasmo, bom humor, disposição para atuar (estávamos fazendo aula de circo). Parecia uma boa ideia! Mas pensei que deveria deixar isso para uma outra hora!
No 7º ano, Dom Quixote se tornou mais presente quando estudávamos sobre as Cruzadas e outras histórias das cavalarias e, depois, com Miguel de Cervantes, no Renascimento. Assim, decidi pela leitura de Dom Quixote, com adaptação de Ferreira Gullar. Os dois personagens, Dom Quixote e Sancho Pança, passaram a viver em nossa sala (literalmente - eles moram lá!). Muitas discussões ocorreram sobre suas aventuras e atrapalhadas. Alguns alunos até se irritaram com tanto sonho e confiança!
- Era essa a peça!
Nos encontros com o diretor Amauri, celebramos a escolha corajosa e partimos para a busca de uma boa adaptação teatral. Amauri me apresentou o texto de Lutz Hübner e eu me encantei com tão primorosa adaptação e excelente tradução de Christine Röhrig. Decisão tomada! No último dia do 7º ano, os alunos receberam o texto e foram para as férias com a missão de conhecer esse Dom Quixote.
De tudo isso ficou uma conversa que não esquecerei: – Não entendo! Você está comemorando? Reclamou tanto de ler o livro do Dom Quixote...
– Mas é que, agora, eu vou ser Dom Quixote!
[Professora Susana]
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